A exigência do exame toxicológico para quem pretende obter a primeira Carteira Nacional de Habilitação (CNH) nas categorias A e B trouxe uma nova preocupação para parte dos candidatos. Em diferentes estados brasileiros, mulheres relataram que passaram por situações constrangedoras durante a coleta de fios de cabelo, procedimento utilizado para a realização do teste.
Embora a coleta tenha sido rápida e discreta, as denúncias apontam que alguns laboratórios estariam retirando itens muito superiores à possibilidade, deixando falhas visíveis no couro cabeludo e, em alguns casos, raspando parte da cabeça dos pacientes. Os relatos provocaram indignação e levantaram questionamentos sobre a capacitação dos profissionais responsáveis pelo procedimento.
Entre os casos divulgados está o da caminhoneira Márcia, em São Paulo. Segundo ela, durante a coleta, metade do cabelo foi raspada, causando um profundo abalo emocional. Afirma ter se sentido desesperado e humilhado com a forma como foi tratado.
Em Rondônia, a jovem Kimberly Crivi também denunciou o procedimento. Ela contou que saiu do laboratório com uma falha aparente no topo da cabeça após o funcionário informar que retirou uma quantidade maior de fios “por precaução”. Já na Paraíba, Ana Karolina afirmou que teve duas grandes mechas cortadas depois que um envelope utilizado para armazenar a amostra apresentou problemas durante a coleta, exigindo uma nova retirada de cabelos.
Especialistas da área de toxicologia esclarecem que situações como essas não fazem parte dos protocolos técnicos adotados para o exame. De acordo com as orientações, a amostra necessária corresponde a uma pequena quantidade de fios, com espessura aproximada à carga de uma caneta esferográfica ou cerca da metade de um lápis comum.
Além disso, o corte deve ser realizado próximo à raiz, utilizando tesoura e seleção de pontos estratégicos do couro cabeludo para que a retirada fique praticamente imperceptível. A utilização de máquinas para raspar a cabeça ou a retirada de grandes tufos de cabelo não integra o procedimento recomendado.
Profissionais da área explicam que falhas estéticas podem estar relacionadas à falta de treinamento, ao uso inadequado de ferramentas ou à execução incorreta da coleta por parte de alguns estabelecimentos.
Especialistas em direitos do consumidor também lembram que clínicas e laboratórios são responsáveis por danos causados durante a prestação do serviço. Caso o procedimento resulte em prejuízo estético, constrangimento ou sofrimento psicológico decorrente de uma conduta prejudicial, o consumidor pode buscar peças por danos morais e materiais na Justiça.
Diante da repercussão dos casos, cresce o alerta para que os candidatos ao exame conheçam seus direitos antes da coleta. Em caso de irregularidades, é consultar registros de fotografias, solicitar documentos que comprovem a realização do procedimento, guardar recibos e formalizar reclamações junto aos órgãos de defesa do consumidor e às autoridades competentes.
Enquanto o exame toxicológico passa a integrar a rotina de quem procura a primeira habilitação nas categorias A e B, os especialistas defendem maior fiscalização sobre os laboratórios credenciados, formação adequada das equipes e respeito às normas técnicas, garantindo que um procedimento simples não se transforma em motivo de constrangimento e sofrimento para os candidatos.
